A nova ortografia e a unificação da Língua Portuguesa

O Novo Acordo Ortográfico muda 0,5% do total das palavras usadas no vocabulário brasileiro. Em Portugal, esse percentual sobe para cerca de 1,6% das palavras usadas, o que representa mais que o triplo de alterações. Isso explica a maior resistência dos portugueses na adoção da nova ortografia que, para alguns, é um mero “abrasileiramento” da língua, pois as bases da unificação da grafia se baseiam em grande parte no critério fonético. O vernáculo vive de escritores, e estes não se impõem pela quantidade, senão pela qualidade de obras que expressem o belo sem protuberâncias vocabulares nem manifestações de desnutrição, de verdadeiras doenças gramaticais. 
Interessante perceber que alguns linguistas portugueses defendem a ortografia etimológica, que leva em consideração a origem da palavra, não aceitando a reforma pelo critério fonético, que, segundo eles, corta o elo entre os praticantes atuais da língua portuguesa e os manuscritos deixados pelos seus antepassados. Em contrapartida, para o grupo dos otimistas, a padronização da língua portuguesa pode resultar na expansão do tímido mercado editorial brasileiro, além de aquecer as relações entre o Brasil e a África. Os céticos, por outro lado, lembram de iniciativas similares em décadas passadas – que não deram certo – e reforçam a noção do excesso de conservadorismo dos editores de livros, os quais investem apenas em títulos de sucesso em outros países, em sua grande maioria, bancados a granel pelas grandes editoras.
Com a unificação da língua, a importação de livros vai aumentar ligeiramente, uma vez que os leitores brasileiros e portugueses não vão mais se importar com as diferenças ortográficas.
Adaptado e resumido do original de  Albuquerque (2009).
REFERÊNCIA
ALBUQUERQUE, L. F. C. A unificação da Língua Portuguesa. [S.l.], 2009. Disponível em: <http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=1302>. Acesso em: 03 de maio de 2012.  

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